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- Olha para uma criança, o quê vês nela?
- Vejo inocência, vejo felicidade, vejo exactamente um mundo diferente do meu.
- Vês?
- Sim, vês alguma maldade nelas?
- Não.
- Pois. Não vês felicidade?
- Vejo.
- Pois. Não vês um mundo completamente diferente do teu?
- Vejo, quando era criança não tinha preocupações, só queria brincar. Achas que ainda tenho idade para brincar?
- Não, nem tu, nem eu temos.
- Porquê?
- Os anos passam, as necessidades são outras, apercebemo-nos de que o mundo não é tão bonito como estávamos à espera. Agora os brinquedos não nos trazem felicidade. Há coisas de substituíram os brinquedos.
- O quê, por exemplo?
- O amor.
- Hmm...
- Olha olha, qual será o nosso bem último?
- Bem último? O que é isso?
- O que nos motiva a agir.
- Hmm... Se procuramos felicidade... O amor?
- No meu ponto de vista, sim.
- Eu também acho.
- Então deve ser isso.
E ambos caíram no silêncio.